Adeus carregamento fixo e as loucuras de Tesla

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Jackson Bagatoli
Especialista em tecnologia da Cissa Magazine
03/07/2015 1.867 visualizações comentarios

Parece que a ciência focou bastante e por muito tempo em maneiras de fazer as baterias melhores e mais potentes, com muito mais autonomia.

Baterias de até 3.000 mAh (miliampéres) não são incomuns em smartphones mais potentes da atualidade.

No entanto, as baterias tem lá suas limitações: limitação física, química e de custos. Então qual seria a saída?

Muitos concordam que o jeito mais fácil para burlar este problema não seria fazer as baterias melhores mas sim o carregamento. Fazer com que ele seja tão facilitado e onipresente a ponto de não mais incomodar as pessoas em suas rotinas.

Carregamento de Smartphones por eletricidade sem fio e as loucuras de Tesla

Carregamento rápido

Há de se concordar que muito já foi conquistado neste aspecto. Um dos grandes avanços tem acontecido no melhoramento do carregamento rápido por fio como a tecnologia Quick Charge da Qualcomm que traz níveis de carregamento muito mais eficientes para os smartphones que possuem suporte à tecnologia Quick Charge que carrega uma certa porcentagem inicial da bateria muito rápido para que você tenha autonomia para mais algumas horas e depois diminui o carregamento a níveis normais para preservar a integridade da bateria e dos demais componentes.

Não há como negar que, mesmo sendo mais lento, o carregamento por indução é um avanço e tanto no mundo do carregamento.

Carregamento Indução Samsung

Um pensamento é carregar rápido e estar preso a um cabo, outro bem diferente é estar livre mas com carga mais lenta. Não se pode ter tudo mesmo.

Indução, o futuro ou a transição?

Parece que o carregamento por indução veio para ficar e está cada vez mais presente em smartphones top de linha como o Galaxy S6. Mas ainda não é suficiente, não queremos sequer pensar no carregamento. Mas será que é possível?

A energia por indução trabalha sobre a especificação Qi que é regulamentada pela WPC (Wireless Power Consortium), um grupo de peso formado por empresas como Microsoft, Panasonic, Samsung, Sony, Toshiba, Verizon e outras.

Este tipo de disponibilidade de energia pretende sair dos pequenos pads existentes atualmente e torná-los mais integrados ao ambiente. O que, na verdade, é o pensamento geral da tecnologia: Teclado na tela do smartphone, displays diretamente em vidro de janela, trancas de porta com impressão digital, pagamento via smartphone por NFC, automatização da casa por meio do smartphone assim que você pisa em casa (ou antes de chegar). Tudo estará integrado, invisível aos olhos.

O mesmo  deve acontecer com carregamento por indução. Não tardará até termos equipamentos sendo carregados assim que o colocarmos em cima de uma mesinha de centro na sala, pois ela terá painéis de indução camuflados, ou faixar nas paredes, ou paredes inteiras. Vendo tudo o que tem evoluído até agora e como nossas vidas têm mudado você provavelmente, assim como nós, não duvida de mais nada também.

Quando indução não é suficiente

Queremos um mundo sem fios. Queremos cada vez menos contato físico, e isto parece estar refletindo no mundo tecnológico.

Não queremos que nossas invenções dependam diretamente do nosso cuidado, queremos apenas os benefícios que ela traz, mas não os cuidados dos quais ela necessita. Até porque é tecnologia, existe para nos servir, certo?!

Vamos começar pelo começo, e um começo bem remoto.

Você provavelmente já ouviu falar de Nikola Tesla, um moço genial que não acabava seus cursos de faculdade, era celibatário e tinha um pouco de aversão a pessoas obesas.

Ou talvez você o conheça pela invenção da corrente alternada, a Bobina de Tesla, o radiotransmissor ou lâmpadas fluorescentes. Em meados de 1900 já era conhecido como o mais grandioso engenheiro elétrico dos EUA.

Seu grande sonho era transmitir energia elétrica através do ar, e conseguiu de certa forma com a bobina de Tesla. Porém, ele queria uma escala maior. O que se tornou visível em 1905, em Shoreham, com a construção da Torre de Energia de Tesla. A torre não deu certo e acabou sendo destruída, mas o sonho de eletricidade pelo ar continuou.

Torre Tesla Eletricidade Ar

Voltando ao presente: o que já existe?

Tesla implantou as ideias principais nas mentes das pessoas, e até hoje empresas ou instituições continuam tentando replicar as ideias fazendo o uso de tecnologias mais atuais.

O que existe atualmente são metodologias de colheita de energia mais intencionais.

WattUp

A empresa parece estar mais avançada do que qualquer outra no ramo. A equipe do TechCrunch visitou o escritório da empresa e teve uma demonstração real de como a tecnologia funciona, que parece mágico.

Primeiramente temos um transmissor de ondas de radiofrequência, várias placas transmissoras fortes que podem ser propriamente colocadas em alguma sala para este propósito ou ainda colocadas dentro de dispositivos que serviriam para disfarçar a tecnologia, como caixas de som, bordas da TV ou até uma porta de geladeira.

Dentro dos aparelhos móveis deve haver um receptor que converterá os sinais em energia elétrica. Funciona como a captura de sinal de redes móveis por exemplo, basta sair da cobertura para perder o sinal e parar o carregamento, ou até mesmo desativá-lo no aparelho.

Carregamento Pelo Ar Eletricidade

Outra maneira de capturar ou colher esta energia é através de acessórios, o que provavelmente deverá chegar ao mercado primeiro.  Por meio de conectores ou capas (leia abaixo sobre a capinha do Nikola Labs).

A empresa relata que já está trabalhando com centenas de empresas pois pretende trazer a tecnologia dentro dos dispositivos. Assim, outras empresas teriam por exemplo salas de reunião com funcionalidade WattUp para a comodidade dos participantes que não precisariam correr para as tomadas.

Nikola Case

Este caso é de uma empresa chamada Nikola Labs, claramente homenageando Nikola Tesla. Dentro de 20 dias será lançado seu primeiro produto habilitado para iPhone 6 e também Galaxy S6, uma capa que envolve o aparelho e se conecta com ele e captura toda a energia que é desperdiçada pelo próprio aparelho.

Smartphone Emissão Rádio Frequência

Pretende maximizar o tempo de utilização de aparelhos pelo simples fato de reciclar energia, ou recapturá-la. Isto acontece quando seu aparelho utiliza WiFi, Bluetooth, 4G, 3G ou qualquer sinal emitido por radiofrequência.

Temos um post sobre colheita de energia, vale a pena conferir o conceito.

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