Energia renovável significa o fim das baterias?

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Jackson Bagatoli
Especialista em tecnologia da Cissa Magazine
26/06/2015 866 visualizações comentarios

O mundo que existiu há milhões e milhões de anos nos deixou uma grande quantidade de fósseis que se decompuseram e nos deram possibilidades incríveis de combustão. O petróleo continua sendo a maneira mais rápida e mundialmente difundida de obtenção de energia. Porém, ela é cara e o pior, FINITA. Vai sim acabar um dia. Há estimativas, mas ninguém realmente sabe quando. Mas mesmo que nunca acabe, é energia suja.

Você já ouviu falar de colheita de energia, ou em inglês Energy Harvesting?

Já imaginou se livrar da necessidade constante de recarregar seu smartphone ou celular pois eles poderiam encontrar sua própria energia?

O conceito pode ser novo e as palavras podem ser rebuscadas, mas os seres humanos sempre colheram energia. Possivelmente até seus antepassados diretos, avós ou bisavós.
Uma forma muito comum era capturar energia vinda de moinhos de vento ou de rodas d’água. Claro que não era convertida em eletricidade, mas estava-se capturando e redirecionando energia.

Ainda estamos um tanto quanto longe de ter aparelhos que recarreguem a si próprios sem pelo menos um painel de energia solar.

Energy harvesting vai mais longe, é o conceito de captura de energia nas fontes mais sutis. Pode sim ser por meio de energia solar, mas também termal, eólica, salina e cinética.

Energy harvesting

Geralmente, as quantidades de energia geradas por tais “captadores” são muito pequenas, servem principalmente para sensores que precisam de energia contínua e confiável com pouca manutenção.
Um bom exemplo seria a utilização do movimento das ondas para a alimentação de sensores marítimos à deriva. Aparelhos para captação deste tipo devem ser extremamente robustos para suportar ambientes hostis como o mar aberto.

Alguns problemas com os modos atuais de captação mais utilizados:

Energia hidrelétrica 

Muito criticada por acabar com fauna e flora em grandes extensões de terra, impedir a subida do salmão para desova (quando rios laterais não são construídos).

Energia eólica

Têm, para alguns, um impacto visual ruim, acham que degrada a beleza dos ambientes. Além de ameaçarem populações de morcegos e pássaros.

Combustíveis naturais

Ocupam grandes áreas de plantação para produção de agricultura focada em combustíveis, sendo que as mesmas áreas poderiam ser utilizadas para alimentação.

Energia solar

Promissora, porém, ainda muito cara para ser utilizada em larga escala. E pode também comprometer grandes áreas com painéis de captura gigantes.

E claro que estes modos de captação servem para seres humanos diretamente, que possuem grandes demandas de energia. Porém, quando falamos de dispositivos pequenos e com circuitos otimizados, a história muda um pouco. Menos energia precisa ser capturada, portanto, muito mais opções de captura se abrem.

Um belo exemplo de dispositivo que se beneficia de energia ambiente é o recém-lançado one2TOUCH Flipcover Keyboard, um teclado que é acoplado ao seu smartphone e necessita unicamente dos resquícios de energia emanados por seu smartphone para funcionar.
Quando alguma tecla é pressionada, o circuito é ligado e envia o sinal para o smartphone.
Um teclado sem bateria e alimentação própria, definitivamente um avanço imenso.

teclado sem bateria

Os benefícios de Energy Harvesting são principalmente sua eficiência melhorada, que poderia cortar grandes custos de computação se o calor produzido fosse recuperado, e também possibilitar redes de sensores wireless (como o teclado NFC mencionado anteriormente).

Praticamente tudo o que acontece no nosso mundo pode ser convertido em energia, porque tudo demanda energia e tudo perde energia. Quaisquer tipos de vibração, movimento e som produzem ondas que podem gerar certos níveis de energia.  Calor é a mais conhecida forma de obtenção de energia e pode ser transformada em eletricidade por meio de materiais termoelétricos ou piroelétricos.

Energy harvesting significa o fim das baterias?

Não pode-se afirmar isto, até porque há componentes nos nossos smartphones que precisam de muito mais energia do que a colheita pode oferecer. Mas com certeza significa a otimização das mesmas, principalmente reaproveitando a energia que o próprio smartphone desperdiça com a soltura de calor. Ou com a energia das suas mãos, ou com a fricção com sua roupa, ou com movimentos quaisquer.

A linha de chegada ainda é incerta, mas as esperanças de eficiência energética continuam existindo. Para muitos, é só uma questão de tempo até termos e-Books com e-ink rodando unicamente por energia solar ou dispositivos NFC com colheita de energia.

Qual é a sua opinião sobre o assunto? Já tinha visto algo relacionado com Energy Harvesting?

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