Os 10 Melhores Filmes Cult para Assistir na Netflix

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Kelen Vargas
Especialista em tecnologia da Cissa Magazine
28/05/2019 35.783 visualizações comentarios

Preencher lacunas intelectuais, expandir a mente e se aventurar por obras cinematográficas que não caiam em estereótipos ou que não sejam só mais um blockbuster, estes são apenas alguns dos motivos que levam os cinéfilos de plantão pela busca de filmes Cult de qualidade.

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Mas o que é um filme Cult? Bem, não  tem como simplesmente caracterizá-lo a um modo ou limitá-lo a determinadas características. Mas em palavras sucintas, um filme cult expressa uma arte alternativa, não necessariamente precisa trazer grandes ensinamentos, mas em sua maioria, buscam ir além do que apenas colocar em tela algo que “brilha e se mexe”.

Um filme Cult, pode ser um filme clássico, filme estrangeiro - muitos franceses - ou ainda  aquele filme de 2h30 a 3h de duração, mas não pode ser classificado apenas a isso. Enfim, um filme ser cult não significa necessariamente que precisa ir contra a premissa de mainstream ou filmes hollywoodianos.

Geralmente, o estilo Cult procura oferecer algo que vai além ao telespectador, a mais do que já foi visto ou se espera, reflexões, formas de comportamento, frases marcantes, o surreal preso as mazelas da realidade e até mesmo nostalgia.

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Então se você está procurando bons filmes Cult para assistir, vale a pena conferir a lista que preparamos, com ótimos títulos que estão disponíveis no serviço de Streaming da Netflix. Trouxemos diferentes gêneros e formatos de filmes, dentre terror, horror, documentário, humor, fantasia - clássicos e atuais, desde os mais referenciados aos menos conhecidos.

Abaixo você pode conferir o trailer e um breve apanhado de informações sobre a história - sem Spoilers, é claro!

Os 10 Melhores Filmes Cult para Assistir na Netflix

1. O Menino que Descobriu o Vento

Uma emocionante, comovente e inspiradora história, O Menino que Descobriu o Vento é um filme de drama da Netflix, dirigido e adaptado pelo ator Chiwetel Ejiofor, a partir de um livro escrito por Bryan Mealer e William Kamkwamba - sendo deste o relato e experiência real a qual o filme nos apresenta.

Baseado em uma história real, O Menino que Descobriu o Vento nos leva a acompanhar uma trama que se passa em 2001, em um pequeno país no sudeste da África, onde uma família de pequenos agricultores de grãos, tenta sobreviver à fome, em meio a uma crise de recursos no país.

Tal crise é provocada, hora pela chuva excessiva, hora pela seca ou ainda pela corrupção política. Em meio a isso, o jovem William Kamkwamba sem poder frequentar as aulas, pois seus pais não conseguiram pagar a mensalidade, opta por ao menos estudar na biblioteca, visando ainda achar um meio de ajudar seu pai na colheita. E, o que ele vai conseguir, vai ir muito além, ajudando não apenas a família dele, mas toda a comunidade.

Um filme espetacular, importantíssimo e que nos arranca de dentro da nossa “bolha” social, e nos coloca de frente com uma realidade que, nos faz expandir a nossa visão de mundo e repensar as nossas pequenas ações e entender que o mundo vai muito além dos nossos problemas.

Fome, miséria e total falta de recursos, frente a isso, pessoas que lutam pela sobrevivência, dão forma a uma trama realista, que nos faz sentir empatia, tristeza e inspiração. Mesmo parecendo uma realidade longínqua,  vale dizer que não precisamos atravessar o atlântico para encontrar situações semelhantes e ou iguais.

Um filme que desperta sentimentos diversos, mas principalmente que inspira, afinal de contas, ao invés de achar desculpas e citar o famoso “se só eu fazer”, o menino de fato faz, e mostra que sim, uma pessoa pode mudar tudo, ou no mínimo começar tal mudança.

2. Roma

Original Netflix, nas palavras na gigante de streaming “ Vencedor do Oscar, o diretor Alfonso Cuarón faz um retrato comovente da vida familiar no México durante os turbulentos anos 70”.

Uma obra que, de fato pode ser considerada cult, dando “check” em todos os elementos que fazem determinada obra se encaixar no gênero. Um filme que não é para todos os públicos, passa bem longe das produções hollywoodianas, segue uma trama simples, trivial, mundana, mas com uma força real e que bate de frente nos menos preparados.

A narrativa é filmada em preto e branco, com um forte toque de neorrealismo - diga-se de passagem - que nos leva a acompanhar a rotina de uma empregada doméstica (Yalitza Aparicio) de uma família de classe média, comandada por uma mãe desamparada pelo marido (Marina de Tavira).

O filme Roma se passa na Cidade do México e a trama acompanha 1 ano - durante a década de 70 - com momentos turbulentos por quais o país passara e que vão afetar a vida de todos da família que acompanhamos na narrativa.

Com potencial para ser uma obra-prima, Roma nos faz abrir os sentidos para várias sutilezas, desfrutar de inúmeras discussões em multicamadas e, sem dúvidas, a narrativa vai te tocar de alguma forma.

3. Circle

Suspense que tem de fundo vertentes e lacunas sociais, o filme Circle nos faz refletir sobre a vida em sociedade em meio a uma trama intrigante, que nos coloca de frente com as mais diversas facetas dos indivíduos, quando confrontados por determinadas situações.

50 pessoas dentro de uma sala escura, limitadas a um pequeno círculo ao redor de um globo negro. A cada dois minutos, um raio sai deste centro misterioso e mata alguém. Porque e quais as regras que antecedem os acontecimentos, serão descobertos aos poucos pelos prisioneiros.

Logo, eles entendem que o mecanismo os está fazendo escolher quem morre, do contrário uma pessoa morrerá aleatoriamente.  E neste ponto, temos um metáfora para a vida social (?). Mais do que isso, no decorrer da narrativa, somos levados a encarar que todos em seu íntimo possuem algum preconceito dentro de si, por mais “inofensivo” que possa parecer.

Um grupo de indivíduos tendo que decidir que vive e quem morre, já é um prato cheio pra muita reflexão, bem como motivo para preconceitos, meias verdades, mentiras, falsos e precipitados julgamentos virem a tona. Como fugir de julgar uma pessoa, apenas por ser diferente do que acreditamos ser o “certo”? O que justifica a morte ou vida de alguém, decidida por estranhos e atos momentâneos.

O filme Circle nos apresenta uma trama em camadas, do mesmo modo como funcionam as características de cada indivíduo; camadas da vida em sociedade, que está longe de ser algo raso, fácil e justo.

4. Eis os Delírios do Mundo Conectado

Sob a direção de Werner Herzog, “Eis os Delírios do Mundo Conectado” é um documentário sobre o impacto da internet na vida da humanidade.  Werner não busca adentrar em explicações, mas sim explorar o quão dependente nos tornamos da tecnologia, por meio de uma detalhada análise sobre os feitos inclinados à internet na sociedade atual.

Por vezes até provocativo, o diretor passa a intenção de nos fazer questionar, refletir sobre os limites e as fronteiras da vida tecnológica, colocando o telespectador frente a fatos reais, como pessoas alérgicas ao sinal de wifi;  crimes digitais; indivíduos viciados em games que chegam a se desligarem da vida real; guerras cibernéticas, etc.

No filme, situações como o primeiro computador do mundo a enviar um e-mail são debatidas, tal como as recentes e audaciosas missões espaciais desenvolvidas por Elon Musk.

Vemos diferentes cenários, onde Werner Herzog  aponta vários benefícios da internet - com inegável poder e influência em facilitar e resolver problemas relacionados às necessidades e demandas da vida moderna. Mas temos o outro lado, no qual o narrador, e por vezes entrevistador, se sobressai mostrando os problemas relacionados à dependência excessiva das pessoas pela tecnologia.

A narrativa é dividida em capítulos que abrangem o passado, presente e futuro da tecnologia, por meio de uma comparação que se baseia em uma visão que não condena, mas também não valoriza como correto os vários acontecimentos decorrentes do primeiro “pequeno” feito da internet. Como o fatídico envio da primeira mensagem de um computador ao outro - um filme que vale muito a pena ser visto, sem ser interrompido pelo “update” de uma das suas redes sociais!

5. Jim & Andy

Jim e Andy é um documentário lançado em 2017, que mostra as filmagens de bastidores do filme "O Mundo de Andy" de 1999, no qual vemos os detalhes e situações de como o ator Jim Carrey adotou a peculiar persona do comediante Andy Kaufman durante a produção do longa.

É um documentário que divide opiniões e críticas: Talento, força criativa x lado sombrio de  Jim Carrey - quem sabe a resposta esteja entre ambos, ou mesmo não haja uma resposta! O fato é que o documentário nos leva por meio de lembranças em gravações, junto a Carrey refletindo sobre o significado da vida e realidade, da identidade e da carreira.

Sob a direção de Chris Smith, o filme Jim & Andy faz o uso de cerca de 100 horas de material captado no set de filmagem do longa. Durante quatro meses acompanhando o processo de Carrey se tornando Andy, de forma mais do que convincente - não apenas em frente às câmeras.

Jim & Andy Traz às telas uma obra fascinante, no que diz respeito ao potencial e talento de um ator, que muitas vezes chega a beirar o surreal.

O filme Jim & Andy é uma ótima pedida para os amantes da sétima arte e para àqueles que se interessam pelo mistérios das criações artísticas, montagem, roteiro, personalidades, bem como para os fãs e apreciadores do trabalho de Andy e claro de Carrey, ambos tão talentosos, quanto excêntricos.

6. Pulp Fiction

Escrito e dirigido por Quentin Tarantino, Pulp Fiction é um clássico dos filmes de crime e suspense!

Para contextualizar, a trama gira em torno de Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson), dois assassinos profissionais, que realizam cobranças para um poderoso gangster - Marsellus Wallace (Ving Rhames). A narrativa não se prende a uma ordem cronológica, nela somos levados a acompanhar histórias distintas, mas que se complementam (?).

Ícone cult entre os cinéfilos, Pulp Fiction foi lançado em 1995, mas é alvo de debates e reflexões nas mais variadas mídias digitais até hoje. É referenciado e ainda proporciona ótimos memes para usarmos nas redes sociais!

Mas o que faz o filme ser dão bem ovacionado fica a cargo dos diálogos, muito bem construídos, que se aventuram em assuntos delicados sem considerar muito o politicamente correto, rendendo vários alívios cômicos de humor ácido, tratando com certa peculiaridade assuntos como violência, drogas e morte.

Com personagens complexos, protagonizando cenas épicas, junto a uma trilha sonora envolvente e montagem de cenas e elementos enigmáticos - por vezes controversos. O clássico Pulp Fiction é alvo de citações e referências nas mais variadas obras cinematográficas, seriados e até mesmo nas conversas do nosso cotidiano. Afinal de contas, mesmo quem não assistiu, pelo menos já ouviu falar ou já viu prints de cenas do filme espalhadas pela internet, sendo usadas para os mais diversos fins.

7. Sociedade dos Poetas Mortos

Estrelado por Robin Williams - que conquistou gerações com seus brilhantes personagens -  o filme Sociedade dos Poetas Mortos chegou às telas no ano de 1990, repleto de ensinamentos e lições preciosas.

Williams dá vida a John Keating, ex aluno da Welton Academy, ele está de volta na instituição como professor de literatura/poesia. A trama se desenvolve com John e uma classe - em específico - do tradicional colégio, que seguiam as ordem de tradição, disciplina, honra e excelência - todos os jovens sofriam grande influência de seus pais (como nos costumes da época) sem poderem “pensar” por conta própria.

O ponto alto da narrativa encontra-se nas ideias nada ortodoxas do professor, que se chocam com as doutrinas do colégio e costumes dos alunos. John Keating quer que seus alunos pensem por conta própria, se apeguem no que acreditam e de fato almejam para seus futuros.

Em pouco tempo, o professor já é muito bem quisto pela classe; a premissa de seus ensinamentos é o Carpe Diem, que significa aproveitar cada um dos momentos de nossa existência, sempre ao máximo - com responsabilidade - pois se ficarmos adiando para amanhã o que podemos fazer hoje, talvez o amanhã não chegue.

Um filme tocante, envolvente e com grandes lições sobre a forma como vivemos nossas vidas e nos deixamos influenciar e “seguir a maré”, por acreditarmos ser o que as pessoas esperam, ou por ser mais fácil. Fotografia cativante, ótimos cenários, ambientação e roupagem que passam com maestria os tons da época (década de 50 para 60).

8. Raw

Sustentando uma trama central de canibalismo, o filme Raw nos apresenta Justine (Garance Marillier),  uma jovem vegetariana que tem suas ações completamente mudadas, após ser forçada a comer carne em seu trote na faculdade de veterinária.

Raw (grave, em tradução literal para o português) é um filme francês que traz Julia Ducournau como diretora. A trama recebeu a atenção do grande público desde seu lançamento no Festival de Toronto, onde várias pessoas passaram mal ou desmaiaram durante as sessões.

Após o trote grotesco, Justine sente as mudanças em sua biologia, descobrindo sua verdadeira natureza, deste ponto em diante somos levados pelas cenas carregadas de tons vermelhos - de sangue - ao que a protagonista vai descobrindo suas “ preferências”. Mesmo sendo um filme de terror e horror, carrega fotografias que o fazem ser, por incrível que pareça, algo belo.

É uma ótima pedida para os fãs do gênero, que não se apegam a filmes comerciais ou de procedência Hollywoodiana. Um filme que, sob o comando de sua jovem diretora, não se encarregou de agregar cenas confortáveis, pelo contrário! Mas está tudo bem se você não se importar em ver pessoas se alimentando de partes de outras.

9. Monty Python: O Sentido da Vida

Monty Python: O Sentido da Vida é dirigido por Terry Jones, que é  co-criador e membro da companhia de comédia Monty Python.

O filme de 1983 é um trabalho super original do grupo, onde a estrutura do mesmo é apresentada em "sketches", que harmonizam filosofia e humor - famoso humor ácido britânico, que por vezes desconforta os mais sensíveis. Abrangem temas que vão desde o nascimento até a morte, a fim de compreender o sentido da vida, ou tentar provar que de fato não existe nenhum.

Sem dúvidas, o humor é uma válvula de escape para as mais variadas situações, então por que não se apropriar dela para fazer arte e acrescentar reflexões sobre as peripécias da vida? Mesmo o filme não sendo considerado a melhor obra do grupo,  “O Sentido da Vida” se saiu muito bem em fazer rir, mesmo com humor escatológico proposto em algumas cenas, não deixa de atingir fatores reais que a existência humana propicia.

Através dos capítulos dentro do longa, os humoristas tomaram o cuidado de deixar tudo muito bem esquematizado, a fim de se complementar, por meio de críticas e ironias. seguem as fases da vida sem - nem por um momento - fazerem questão de apresentarem alguma resposta para o título do filme.

10. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain é um filme que capricha em entregar uma ótima história sem se apegar em estereótipos e mesmices, fica longe de ser uma trama como tantas que existem e só mudam basicamente os intérpretes.

O longa se tornou sinônimo de cult, pois é francês, com elementos surreais, com título grande e explora os possíveis acontecimentos na vida de uma jovem, de maneira perspicaz, envolvente e reflexiva. Título perfeito para rodar e expandir a mente, ao se atentar nas relações humanas e como lidamos com  amor, paixão e a perda.

A premissa da história nos trás a jovem Amélie (Audrey Tautou), que quando criança não teve contato com outras crianças, crescendo de maneira isolada. Já na vida adulta, temos a protagonista trabalhando como garçonete em um restaurante parisiense em Montmartre.

Certo dia, Amélie encontra uma caixa com pertences do antigo morador do apartamento que ela reside a pouco tempo. Decide procurar o homem para devolvê-lo a caixa, neste momento, ao presenciar a emoção sentida pelo dono dos pertences, a jovem passa a pensar na importância dos pequenos atos, e começa a remodelar sua visão de mundo.

Decidida, ela dá um novo sentido a sua existência, realizando pequenos gestos para as pessoas ao seu redor, com o objetivo apenas de agregar felicidade na vida daqueles que puder.

Pequenos detalhes na narrativa cativam aquele em frente a tela, uma história envolvente e divertida de acompanhar, muito bem construída por  Jean-Pierre Jeunet e Guillaume Laurant. O que se sobressai é o encanto expresso pelo olhos da personagem, frente a um mundo visto de modo diferente do convencional, através da sua perspectiva única e distinta, fantasiosa, mas que ainda assim não foge da realidade que nos cerca.

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